Atleta em competição de mountain bike. Foto de Gioele Fazzeri

Shimano Altus é bom? Entenda o grupo de entrada para mountain bike!

Se você já é um ciclista experiente, ou está entrando agora no mundo do ciclismo e conhecendo as marcas fabricantes dos melhores componentes para as bikes, você provavelmente já encontrou com o nome Shimano.

Uma das maiores fabricantes do mercado de componentes para bicicleta, a Shimano possui diversos grupos de componentes, cada um com o seu modelo e a sua especialidade. Assim como a sua principal concorrente, a SRAM, a Shimano possui diversos modelos voltados para a prática de mountain bike, e outros para o uso em estradas e gravel.

Se você se importa com o seu desempenho durante a prática do seu exercício físico, ou do seu esporte favorito, e deseja montar uma bicicleta que seja compatível com o que você procura, sabe o quão importante é conhecer as suas possibilidades.

No artigo de hoje, vamos focar a nossa atenção nos componentes da linha Altus, da Shimano. Tentaremos, então, responder a pergunta se Shimano Altus é bom, além de explicar um pouco dos seus componentes e oferecer algumas dicas para que você faça a melhor escolha.

Sobre a Shimano

A Shimano é uma empresa japonesa de componentes de bikes. Possuindo diversos grupos de transmissão, é uma competidora direta com a SRAM, outra grande marca de peças para bicicletas.

Peça Shimano em bike. Foto de Robert Thomson.

A empresa já possui mais de 100 anos de história e, além de produzir peças para bicicletas, também trabalha com produtos de pesca.

Foi a Shimano que revolucionou o movimento central, criando o encaixe Octalink, que possui mais resistência e garante a segurança do ciclista em trilhas mais difíceis.

Shimano Altus

Sendo a segunda linha dentro da hierarquia da Shimano, se considerarmos a Tourney, a linha Altus é uma das mais simples para o mountain bike.

Por isso, acaba sendo uma opção para quem deseja iniciar a prática de cross country, por exemplo, e não possui ainda uma bike adequada para isso.

Atualmente, a Altus trabalha com a série Altus M2000, e é dele que falaremos aqui nesse artigo, pois é o mais atual. Dessa forma, essa análise não diz respeito a modelos anteriores ao Altus M2000.

Jovem andando de bike em trilha de terra. Foto de Myburgh Roux.

Por ser uma das linhas mais básicas, suas peças são mais baratas e possuem um peso um pouco maior do que o ideal. Portanto, para aquele que já pratica o ciclismo há algum tempo, esse modelo pode ser um tanto incômodo.

Por mais que essa seja uma linha de produtos de entrada e tenha lá as suas limitações, algumas de suas peças são as mesmas usadas nas linhas Acera e Alivio, duas linhas que se posicionam acima da Altus.

Agora comentaremos sobre as peças da Shimano Altus, comentando suas tecnologias, o material do qual são feitas, suas medidas, pesos, etc.

Componentes Shimano Altus

Como já comentamos, as peças da Shimano Altus são feitas com um material um pouco mais pesado, sendo a razão pela qual o seu preço consegue se manter mais baixo.

Isso não quer dizer que o equipamento não seja indicado para a prática de cross country e outras modalidades de mountain bike. Porém, isso pode acabar gerando dificuldades na troca de marchas, por exemplo, além de aumentar o peso da sua bike.

O foco dessa linha é de ser acessível e cumprir com os requisitos necessários para a prática de MTB, para que ciclistas iniciantes no MTB possam começar sem precisar de um grande investimento.

câmbio traseiro e dianteiro

Para começar, falaremos sobre os câmbios da Shimano Altus. Diferente das versões anteriores, o Altus M2000 já conta com a tecnologia Shadow, que aproxima o câmbio traseiro da bike e, assim, a deixa um pouco mais compacta.

Câmbio traseiro Altus. Imagem retirada do site da Shimano

A indicação da Shimano é que o número máximo de dentes do cassete seja de 36. Contando com isso, a tecnologia empregada, Shadow, e o design, o modelo se confunde com os das linhas acima dele.

Contando com o mesmo peso, mesmas tecnologias e o design parecido, é difícil ver a diferença entre os modelos dessas linhas.

Enquanto isso, o câmbio dianteiro pode ser adaptado para o gosto do ciclista. Os modelos da Altus podem ser utilizados com o câmbio dianteiro das linhas acima dela. Isso é, você poderá utilizar o câmbio dianteiro da Altus, ou da Alivio, ou da Acera, conforme preferir.

Câmbio dianteiro Down Swing da Shimano Altus. Imagem retirada do site da Shimano.

Cassetes e correntes

O cassete da Altus está disponível em duas cores possíveis: preto e prata. Eles são compatíveis com as correntes HG de 9 velocidades. As duas cores podem ser vistas nas seguintes fotos:

Modelo prata:

Cassete HG-201. Imagem retirada do site da Shimano.
Cassete HG-201. Imagem retirada do site da Shimano.

Modelo preto:

Cassete HG-200. Imagem retirada do site da Shimano.
Cassete HG-200. Imagem retirada do site da Shimano.

Apesar de vir em duas cores possíveis, ele possui a mesma especificação sempre. Ele pode vir em 11-32d, 11-34d ou 11-36d, e possui a tecnologia HyperGlide, que facilita a troca de marcha.

Vale ressaltar também que o cassete do grupo Altus é o mesmo das duas linhas acima, Acera e Alivio. Da mesma forma, as correntes também são iguais para essas linhas.

pedivela e pedal

Já a pedivela também possuem opções, mas agora com diferença entre um e outro. As pedivelas oferecidas são 3: duas delas com movimento central quadrado, e a terceira com rolamento externo.

Já o tamanho, pode ser escolhido dentre 165mm, 170mm ou 175mm.

Pedivela M2000. Imagem retirada do site da Shimano.

Porém, existe a opção do pedivela com movimento central com rolamento externo, que permite o uso de um movimento central das duas linhas acima da Altus, Alivio e Acera.

Pedivela MT300, da Altus, compatível com peças da Alivio ou Acera. Imagem retirada do site da Shimano.

Já o pedal é único, não possuindo outras versões. Ele possui a tecnologia SPD, que possui um encaixe específico com as sapatilhas especiais da Shimano, proporcionando maior segurança e firmeza.

movimento central

O movimento central da Altus, por sua vez, pode deixar a desejar, por ser quadrado, sendo um modelo antigo que já causou sérios problemas.

Isso se da pelo fato de que ele não oferece a estabilidade e resistência necessárias para a prática de mountain bike, pois os terrenos e as manobras exigem cada vez mais das peças das bikes.

Movimento central MT500, aceito pelo pedivela do Altus. Imagem retirada do site da Shimano.

Porém, como foi comentado acima, existe a possibilidade de utilizar outro movimento central, quando usado com o modelo de pedivela MT3000. Esse é o mesmo utilizado pelo modelo Deore.

Freios

O modelo Altus possui duas opções de freios, sendo eles o freio a disco e o hidráulico. Possui, ainda, duas opções para os freios hidráulicos.

Os freios da Altus são inferiores se comparados às duas linhas acima, como era de se esperar. Portanto, ela não é tão indicada para terrenos e atividades mais extremas, mas pode aguentar um cross country leve e estradas acidentadas.

Alavanca de freio de disco hidráulico, M365. Imagem retirada do site da Shimano.

Já as alavancas e manípulos de freio, são muitas opções apresentadas pela marca, e é de opção pessoal de cada um.

trocadores de marchas

Os trocadores de marchas possuem pouca diferença entre si, todas com 9 velocidades, que é o padrão da Altus.

Trocador Altus M2010. Imagem retirada do site da Shimano.

Vale ressaltar que os trocadores já possuem a tecnologia apresentada nos modelos superiores: rapidfire. Além disso, eles possuem displays de velocidades, facilitando o controle pelo ciclista.

Grupos Acera e Alivio em relação ao Altus

As duas linhas cima da Shimano Altus são linhas intermediárias, indicadas para bikes mais bem preparadas do que a Altus, mas que ainda são parte das linhas de mountain bike casual.

Porém, para os ciclistas casuais que procuram se aventurar um pouco mais, esses são dois ótimos modelos, contando com diversas tecnologias e material de melhor qualidade.

Vale ressaltar que essas linhas ainda se tratam de produtos para praticantes casuais de MTB, e não profissionais.

Câmbio com 9 velocidades da linha Acera. Imagem retirada do site da Shimano.

Em relação aos trocadores de marcha, o Altus fica para trás, sem a tecnologia Rapidfire Plus, que conta com o 2-way release, permitindo a troca de até três marchas de uma só vez.

Segundo alguns relatos encontrados na internet, o Altus possui um peso maior do que os modelos das linhas superiores, além de ter um sistema de frenagem não tão confiável para algumas aventuras mais radicais.

Além disso, vale lembrar que esse é um modelo para quem deseja começar a praticar o esporte, e não possui tanto capital para investir. Portanto, é de se esperar que se encontrem falhas e limitações.

Afinal, Shimano Altus é bom?

Para tentar responder essa resposta, após analisar as peças da coleção Altus, devemos nos perguntar: bom para que?

Se o seu objetivo for ter um setup que atenda os requisitos mínimos para começar a se aventurar em trilhas e terrenos mais difíceis, ele pode te atender.

Porém, não exagere na dificuldade desses terrenos, pois o material ainda é um tanto quanto frágil, se comparado a outros modelos para a prática das mesmas atividades.

Da mesma forma, o Shimano Altus é bom para o caso de quem deseja uma bicicleta de estrada um pouco mais robusta, que aguente terrenos acidentados e trilhas leves.

Portanto, podemos dizer que sim, o Shimano Altus é bom para iniciantes na prática do esporte, mas pode deixar a desejar, dependendo do seu tipo de uso.

Esperamos que esse artigo tenha sido útil para você, e que essas dicas possam lhe ajudar a escolher as melhores peças para que você possa viver as suas aventuras!

Confira também este artigo sobre toda a Hierarquia Shimano.